Como previsto, passado o tríduo momesco, tudo começou a tomar o seu lugar na vida cotidiana dos brasileiros, em vários ramos de atividade, e com mais clareza diante da proximidade das eleições gerais. Isso é o que está acontecendo no campo da política partidária no Amazonas, no qual o processo foi bastante antecipado se considerarmos os pleitos passados.

De todo modo, depois das primeiras arrancadas que devem se desenhar mais claramente no dia 4 de abril, após as noites de agonia que os interessados em candidaturas vão viver com a premência de tomarem a decisão de filiação partidária, providência que vai implicar em alianças e, como diz o vulgo, na tomada de posição com a escolha do grupo ao qual vão se reunir visando obter votos que os levem a alcançar os mandatos pretendidos.

Não é uma decisão fácil e é compreensível que assim seja, pois os partidos não representam a expressão ideológica e identitária que seria desejável, servindo para abrigar a formação de chapas favoráveis ao interesse individual e até circunstancial da maioria dos candidatos, pois a essa escolha seguir-se-ão as convenções a serem realizadas a partir de julho e até a primeira semana de agosto, quando tudo precisará estar resolvido para apresentação de listas e chapas à Justiça Eleitoral.

Tive a oportunidade de ser secretário, líder em parlamento e presidente de partido político anos passados, como a de exercer mandatos eletivos e ser “grafado” na apuração manual para deputado estadual e sei que estes são períodos de alta tensão, estresse e seguidas reuniões, conversas inadiáveis e inacabadas, intermináveis elocubrações, composições e recomposições, abraços e distanciamentos, situações que, embora difíceis de compreensão somente são possíveis graças ao estado democrático de direito que preside a vida nacional. Passados alguns bons anos dessas experiências, nada mudou e o frisson continua o mesmo, agora expandido para as redes sociais que, verdadeiramente, são implacáveis para o bem e para o mal.

Enquanto alguns políticos se engalfinham até com a sombra, imaginando algozes em todo o canto e por tudo, outros poucos se fixam em preparar propostas que apresentarão na campanha eleitoral” gratuita” de rádio e televisão quando agosto chegar, além de realizar encontros com eleitores, associações, entidades da sociedade civil, desportistas, artistas, profissionais liberais, militares, estudantes, jovens e adultos de todas as idades a procura de apoiamento às suas ideias. Há os que ostentam experiência; os que demonstram confiança; o que sinalizam esperanças; os que concorrem para o engrandecimento do processo político, mas há os que, despreparados, usam de artifícios e propõem mágicas, e até um “Amazonas cor de rosa” no qual tudo caminha bem e seguirá bem, se forem eleitos pelo voto popular.

Passado esse tempo, o cidadão será obrigado a se ver bem ou mal representado, conforme a escolha da maioria da população eleitora, e a aguardar que seja decorrido quatro anos para, novamente, atravessar esses mesmos momentos, isso porque na legislação brasileira ainda não foi adotado o “recall”, que nos permitiria corrigir erros de escolha no curso do mandato eletivo.

Vamos adiante, muita água vai rolar nessa ribanceira até a proclamação dos eleitos. Enquanto isso, os bons e os maus seguem definindo caminhos. Esperemos que a maioria do eleitorado vão ao encontro não só dos bons, mas dos melhores dentre os muito bons.

Por Robério Braga

Membro efetivo da Academia Amazonense de Letras (AAL), é o quarto ocupante da Cadeira n.º 22, eleito em 20 de setembro de 1981, na sucessão de Manoel Anísio Jobim, foi recebido em 25 de setembro de 1982, pelo acadêmico Ulysses Uchoa Bittencourt. Cadeira fundada por Generino Maciel.