A Academia Amazonense de Letras (AAL) lamenta profundamente o falecimento do Acadêmico Sergio Vieira Cardoso, neste sábado (3), em Manaus, aos 72 anos.
Nascido em Manaus, Sergio dedicou mais de cinco décadas à cultura e construiu uma trajetória marcada pela atuação em diferentes linguagens artísticas, como teatro, literatura, cinema, fotografia e artes visuais. Em sua produção, Manaus e a Amazônia estiveram entre os principais temas, com trabalhos voltados à memória, às transformações da cidade, às questões sociais e à relação com a natureza.
Formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sergio também construiu carreira no serviço público, com atuação na Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM). Na área cultural, exerceu funções na Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, onde atuava no Departamento de Difusão Cultural.

Diferentes formas de expressão
Nas artes visuais, começou a pintar na década de 1970, de forma autodidata. Ao longo da carreira, desenvolveu uma produção que transitou entre pintura, fotografia, literatura, teatro e cinema, estabelecendo um diálogo constante entre diferentes formas de expressão.
A relação com Manaus esteve presente de maneira constante em sua obra. O crescimento urbano, as mudanças na paisagem, os personagens anônimos, as desigualdades sociais, a memória e as transformações ambientais foram temas recorrentes em seus trabalhos. A cidade não aparecia apenas como cenário, mas como parte central de sua produção artística.
Na dramaturgia e na literatura, criou “La Zone“, cidade fictícia que se tornou um dos elementos marcantes de sua produção. O universo criado pelo artista passou a reunir personagens, histórias e situações inspiradas na vida urbana, permitindo diferentes formas de representação e reflexão sobre Manaus.
No teatro, Sergio desenvolveu trabalhos como “A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz” e “Carmen de La Zone“, ampliando sua atuação na dramaturgia e aproximando a criação teatral de temas presentes em sua produção artística.

Sua trajetória também se estendeu ao cinema e ao audiovisual. Ao longo da carreira, realizou filmes e documentários e desenvolveu trabalhos que aproximavam fotografia, pintura, literatura e cinema. Sua produção audiovisual também registrou artistas e personagens ligados à cultura amazonense, contribuindo para preservar aspectos da memória cultural do Estado.
Última exposição
Em setembro de 2026, pouco antes de sua morte, Sergio apresentou a exposição “Papers & True Graphics – Pinturas e Fotografias”, no Centro Cultural Palácio da Justiça, em Manaus. A mostra apresenta parte de sua produção artística e evidencia o diálogo entre pintura, fotografia e cinema, linguagens que estiveram presentes em diferentes momentos de sua trajetória.



Academia de Letras
Na Academia Amazonense de Letras (AAL), Sergio Vieira Cardoso foi o sexto ocupante da Cadeira nº 2. Eleito em 13 de maio de 2017, na sucessão de Moacir Couto de Andrade, foi recebido na instituição em 13 de agosto do mesmo ano. A Cadeira nº 2 foi fundada por Euclides da Cunha.
Ao integrar a Academia, Sergio trouxe para a instituição uma trajetória construída entre a literatura e diferentes campos da criação artística, mantendo em sua produção o diálogo constante com Manaus, a cultura e a memória da Amazônia.

Ao longo de mais de cinco décadas, o multiartista construiu uma obra marcada pela diversidade de linguagens e por um olhar atento para a cidade onde nasceu e para a Amazônia. Sua produção permanece como registro de diferentes momentos, personagens e transformações da vida cultural amazonense.
A Academia Amazonense de Letras (AAL) manifesta seus sentimentos à família, aos amigos, aos colegas de profissão e a todos que fizeram parte da trajetória de Sergio Vieira Cardoso.

Acompanhe as atividades da AAL pelo site e pelas redes sociais.
Instagram: @academiadeletras.am
Facebook: @academiadeletras.am
