A “peça dentro da peça” em Hamlet,  é um recurso metateatral pelo qual Hamlet instrui atores a encenar o assassinato de seu pai para testar a culpa do Rei Cláudio. Este mecanismo, brilhantemente criado por Shakespeare, visa  forçar Cláudio a revelar sua consciência culpada. Hamlet busca confirmar a veracidade das informações do fantasma de seu pai, usando o teatro como uma “armadilha” para desmascarar o tio, Cláudio. E dá certo. Cláudio interrompe a peça e deixa o local furioso.

É um recurso metateatral. Uma peça dentro da peça. Relendo Hamlet, obra prima de Shakespeare, resolvi aproveitar esse recurso de metalinguagem e fazer uma crónica dentro da crónica. Ou seja uma metacrónica, se é que isso existe. Pedi a IA Inteligência artificial, fazer uma pequena  crónica, explicando o que é a inteligência artificial. Eis a minicrónica  que  a tal IA nos fez. Tem título e tudo. Ipsis litteris:

“Inteligência artificial”: uma crônica em miniatura

Nem tão “fosforescente” quanto parece, nem tão misteriosa quanto os deuses do Olimpo. A IA é, simplificando, um conjunto de códigos que aprendeu a pensar com a ajuda de muitos exemplos.

Imagine uma biblioteca que não só guarda livros, mas também conversa com eles. A cada pergunta, ela escolhe o capítulo que mais se parece com o que você precisa ouvir, como quem escolhe a cereja certa do singelo sorvete.

Ela não sente, não ri de verdade, não chora quando corta a unha do dedão do pé. E mesmo assim, sabe tanto de fome, de música, de planetas distantes quanto qualquer andarilho curioso.

O truque está no treino: milhões de frases, fotos, músicas misturadas, até receitas de bolo, tudo para que a máquina reconheça padrões. Depois disso, ela tenta construir algo novo a partir dessas referências, como quem remixa  uma música antiga sem apagar a sua alma.

Quando você pergunta sobre o tempo, a IA não lê o relógio; ela observa padrões: nuvens, ventos, estações. E responde com probabilidades, não com certezas absolutas. Como quem diz: “provavelmente choverá, leve um guarda-chuva, talvez”.

Às vezes faz piadas ruins ou falha com uma resposta boba. Afinal, aprender é errar para acertar, repetidas vezes, até que a linha entre história humana e máquina se estreite o suficiente para parecer conversa entre velhos amigos.

No final das contas, a inteligência artificial é uma ferramenta: poderosa para calcular tarefas repetitivas, criativa quando aprende com dados, útil para quem precisa de uma mão extra na hora de pensar. Mas continua dependendo de quem a usa, dos limites que colocamos e da responsabilidade que exigimos.

E se ela algum dia parecer ter alma, quem sabe? Talvez seja apenas a nossa curiosidade refletida de volta para nós mesmos, perguntando: “o que mais podemos imaginar juntos”

Há anos Shakespeare, Machado de Assis, Eça de Queiróz, Fernando Pessoa e Poe me encantam, surpreendem e me ensinam. E agora veio esta tal de IA. Inteligência Artificial. É isso.

Por: Pedro Lucas Lindoso

Membro efetivo da Academia Amazonense de Letras (AAL), é o quinto ocupante da Cadeira n.º 25, eleito em 10 de maio de 2025, na sucessão de Márcio Souza, recepcionado em 24 de abril de 2026, pelo acadêmico Elson Farias. Cadeira fundada por Raul de Azevedo (1918).